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November 17 2009

fernandes
18:36

A UNIVERSIDADE E OS NOVOS CARETAS


– André L. Soares – 16.11.2009 –

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Durante a ditadura, os universitários constituíam grupo fundamental na luta contra os militares. Era a efetivação prática do que aprendiam nos livros. Imbuídos das teorias de Marx, Sartre e Foucault, entre outros, a vontade de abalar as estruturas do poder surgia naturalmente.

Naquela época, estudante ouvia Caetano Veloso – que ainda não era um chato; mas, sim, a voz mais importante da arte de vanguarda no Brasil. Estudante lia ‘O Pasquim’, mesmo que isso o levasse aos porões do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social). Estudante via filmes de Glauber Rocha – que, de tão autêntico, irritava a direita e a esquerda.


No começo dos anos 80, ao visitar o campus da Universidade de Brasília, o Secretário de Estado norte-americano, Henry Kissinger, foi recebido com ovos. Era o jeito do universitário candango de protestar contra a política externa de Tio Sam.

Quando entrei na universidade, em 1988, um amigo me chamou: ‘– Vamos ao anexo’. Pensei tratar-se de algum antigo ‘aparelho comunista’. Era só um bar, ao estilo copo-sujo, onde estudantes matavam aula para se renderem à cerveja e ao ‘truco’ – o que não chegava a ser ruim.

No início dos anos 90, o universitário brasileiro que ainda protestava contra algo estava nas instituições particulares. Brigava contra o aumento da mensalidade. O último resquício de participação social se deu no ‘impeachment’ de Collor. Após isso, o termo ‘universitário’ foi desvinculado de qualquer reivindicação de maior importância.

Agora, que predomina o discurso meramente materialista, os universitários, em sua maioria, não têm ideais. Possuem carro novo, computador, blog, iphone e ipod. Porém, consciência crítica e opinião própria, a mídia não lhes permite que tenham.

Não digo, com isso, que para ser bom estudante alguém deva se sacrificar por alguma causa. Nem é preciso ser rato-de-biblioteca. Os tempos são outros. A visão social deu lugar à especialização profissional. No entanto, há que se ter um ‘norte’ filosófico: um mínimo-ético que oriente cada ação, impedindo que o universitário se transforme em retrógrado incorrigível, que agride alunas por conta de alguma saia que julgue curta demais.

Aliás, na minha época, mulheres e saias curtas eram muito bem-vindas entre nós, homens universitários. É,… os tempos são mesmo outros.

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Posted in abuso, Brasil, direitos individuais, educação, modernidade Tagged: agressão, filosofia, minissaia, modernidade, mulheres, retrógrados, uniban, universitários

November 16 2009

fernandes
14:39

Canção do Outono Sombrio


(Foto: André L. Soares)
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CANÇÃO DO OUTONO SOMBRIO
(André L. Soares)
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Tenho pisado em folhas secas
que se amontoam aos pés das cercas,
depois esvoaçam pelo chão.
Acima, quase brilha um sol cinzento
simultaneamente ao vento,
que uiva a mais sombria das canções.
Vivo uma tristeza há mais de trezentos dias
sem ver flor ou ler poesia,
numa busca que parece ser em vão.
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Nos meus olhos respinga a garoa fina
que se funde às minhas lágrimas...
(nem sei se sou eu quem chora ou se é o céu).
Escondido sob o espesso sobretudo
carrego o peso do mundo em minhas costas,
seguindo só com minhas botas e o destino infiel.
No meu caminho, a primavera não é óbvia,
sinto mais frio que num inverno em Varsóvia
(sonhos congelados na nevasca da ilusão).
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Aspiro o pó branco que sobe pelas narinas
ou mergulho na bebida ofertada nos bares...
(falsas amigas que me empurram para a cova).
Não mais havendo lua-nova em minhas noites
semicerro as pálpebras e me acostumo ao breu;
afinal, o pior inimigo a enfrentar ainda sou eu.
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Feito um corsário sem rumo,
minha alma de pássaro ganhou o azul,
migrou pro Sul,... foi embora no outono.
E se me mantenho em pé é por paixão:
tenho fé, que apesar de tanta derrota,
ao abrir alguma porta, ainda haverá verão.
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October 20 2009

fernandes
21:52

Estro


(Foto: André L. Soares)
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ESTRO
(Rita Costa & André L. Soares)
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Adoro a forma como absorve
o que de minha alma
a palavra se alimenta;...
parece que invade
minhas entranhas,
onde apanha letras e fonemas.
Sinto que preencho espaços
resguardados de outras eras,
quando vejo que em seus versos
há muito de minha essência.
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Não sei o que você pensa...
– penso que nem me entendeu –,
mas sua poesia surge no papel,
e, quem diria,... lá estou eu!
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October 17 2009

fernandes
19:09

SORRIA – SEUS MICOS ESTÃO SENDO FILMADOS


– André L. Soares – 17.10.2009 –
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No final dos anos 80, um grande amigo meu, enlouquecido por encontrar a namorada aos beijos com outro rapaz, subiu em uma mesa do ‘Beirute’ – que é, talvez, o bar mais conhecido de Brasília – e gritou, a plenos pulmões, que a amava e que ia encher ‘aquele cara’ de porrada. Para evitar o pior, muitos interviram, não sem antes que meu amigo derrubasse várias mesas e cadeiras, proferindo palavrões até então desconhecidos pela maioria dos presentes.
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Passado o momento – e arrefecida a paixão –, sempre que lembrávamos esse fato, meu amigo negava. Dizia que era mentira com tal veemência, que, após alguns anos, eu mesmo passei a duvidar que aquilo tivesse acontecido.
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Isso porque, antes era mais fácil ‘pagar mico’, já que os efeitos do vexame tinham menor durabilidade e alcance. Bastava, depois de algum tempo, mentir descaradamente, negando o ocorrido. Era a palavra de um contra a palavra do outro. Quem tivesse maior respaldo entre os ouvintes seria o ‘dono-da-verdade’. Hoje, porém, a coisa é diferente.

Agora o mundo está repleto de câmeras digitais, cada vez mais potentes, mais nítidas, mais modernas, mais baratas, com maior capacidade de armazenagem, gravando imagens e sons e, em alguns casos, transmitindo tudo – via ‘bluetooth’ – imediatamente para sites como o YouTube; onde, após exposto, o vídeo – ou a foto – estará acessível a milhões de pessoas. O episódio do ‘chip do Pedro’ deixou isso bem claro.
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Nunca foi tão difícil esconder fatos corriqueiros. Nunca a privacidade esteve tão ameaçada. Nunca as pessoas foram tão pouco confiáveis. Hoje, qualquer moleque, dotado de um celular com câmera, faz coisas que os ‘arapongas’ do SNI jamais imaginaram fazer, ao longo da ditadura militar.
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Na eleição de Barack Obama, o mundo conheceu fatos curiosos da intimidade do presidente, que foi flagrado, por exemplo, calçando sapato furado. O sapato velho do presidente não tem relevância. O problema é pensarmos que foi alguém, ‘de confiança’ – parentes, funcionários antigos, amigos íntimos – que repassou a foto, contrariando todo o trabalho de marketing pessoal.
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E se o homem mais poderoso do mundo não escapa a essa exposição; imagine o que não farão conosco esses invasores de privacidade. Agora é preciso pensar duas vezes antes de palitar o dente. E você, adolescente masturbador, cuidado: talvez seu irmão o esteja filmando, no escuro do banheiro.
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Muitos, buscando ter o vídeo mais acessado do dia, vão expor os entes mais queridos, sem pestanejar. E se isso tem um lado positivo, que é o de intimidar e, quem sabe até minimizar ações criminosas de menor porte; por outro lado, o próprio uso indevido dessas imagens – gravadas e expostas publicamente, em sua maioria, sem o consentimento dos envolvidos – já se constitui crime.
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Somando-se a isso os recursos do GPS e as prováveis evoluções de sistemas como o Google Earth, pode-se afirmar, sem chance de erro, que a privacidade está com os dias contados.
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Posted in 1, abuso, cronica, direito, direitos individuais, internet, modernidade, tecnologia Tagged: câmeras, direitos, direitos de imagem, exposição, filmagem, fotos, Google Earth, GPS, intimidade, mico, privacidade, tecnologia, YouTube

October 14 2009

fernandes
21:29

Utopias e Ventos


[Foto: André L. Soares]

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UTOPIAS E VENTOS
(André L. Soares)
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Desde sempre é esse mistério
no escapulário, no cavalo,
no cemitério, no cardume, no cardápio,
no calcário, na oração!
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E o que fazer diante do tempo
e da Ordem dos Templários,
na escuridão dos monastérios
ou na espada dos assírios,
sabendo que, hoje, nossos filhos
- espalhados pelo mundo -,
ainda trilham mil calvários
atrás dessa liberdade,…
sempre por vir?
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Diante disso,…
quero explodir mil fevereiros,
riscar um novo manifesto,
sendo meu próprio Querubim
- burgês de origem operária,
razão no fio da navalha -,
reinventando a velha história
(agora me levando a sério)
e no vermelho-climatério
abrir porões, quebrar os elos,
destituindo donatários,…
por esse ‘Dezoito de Brumário’
escrito dentro de mim.
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October 05 2009

fernandes
23:11

Para Mercedes Sosa


(Foto: André L. Soares)
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PARA MERCEDES SOSA
(André L. Soares – 05.10.2009 – Guarapari/ES)
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Trouxeste luz, ao sul do continente
e, de repente, nós,... povos estanques,
éramos bravos, bons, belos gigantes
e muito maior o amor por nossa gente.
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Soltaste a voz, quebrando a dor silente,
então nos vimos, bem melhor que antes:
milhões de irmãos, somando suor e sangue,
atrás do sonho,... passo firme, em frente.
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Foste o clamor dos pobres deste solo
e também diva, lírica da ética,...
estrela-guia dos poetas mais audazes.
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Hoje partiste, sem culpa e sem dolo,
pássaro livre,... flor e mãe da América,
agora, enfim, só vais cantar pros deuses!
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September 30 2009

fernandes
19:38

Loucura


(Foto: André L. Soares)
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LOUCURA
(André L. Soares)
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Se o preço da sensatez
é o eterno questionamento
da dúvida que não cala
a cansativa fissura,...
quero esquecer as perguntas,
desejo ser mudo e surdo,
vou jogar fora o encéfalo
e me render à loucura.
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September 29 2009

fernandes
21:54

Das Marés


(Foto: André L. Soares)
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DAS MARÉS
(André L. Soares & Rita Costa)
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Teu jeito criança
veio com o mar.
A tua esperança
nasce do mar.
A cor dessas tranças
brilha no mar;...
o futuro nas conchas,
vi na pérola negra
em meio ao coqueiral.
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O fim desse mundo
é o limite do mar.
Os desejos profundos
vêm do fundo do mar.
Nosso sonho mais lindo
sonho à beira-mar;...
no ouro da praia,
na cama de areia,
coroar-te mulher.
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À tardinha o céu desce
até beijar o mar.
O profeta já disse
que o sertão vira mar.
Então, faço uma prece
louvando esse mar;...
ao lançar minha rede
sempre peço pra lua
um novo amanhecer.
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September 25 2009

fernandes
21:09

Direito Autoral


(Foto: André L. Soares)
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DIREITO AUTORAL
(André L. Soares)
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...tal descuidada prostituta,
que engravida
e enche o mundo,
sou o pai e a mãe
de todos os meus filhos
e faço questão de assumi-los
...feios ou não.
Não aceito adoção;
a menos, claro, que me paguem
para também prostituí-los
ou, quem sabe, óbvio,...
até concorde que, de graça,
os exibam nas esquinas
– para o merecido escárnio –,
desde que citem meu nome
como o autor das criaturas;
posto que,
...feias ou não,...
ainda são minhas.
.
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September 24 2009

fernandes
21:13

BLOGS – A ORIGINALIDADE FAZ A DIFERENÇA


– André L. Soares – 24.09.2009 –

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Texto bem escrito é algo maravilhoso: gera reflexão. Hoje esbarrei em um, da Márcia Filósofa, do blog ‘Menina Virgem’, intitulado ‘A onda do blogueiro marionnete’. Motivado por esse trabalho – na humilde condição de debatedor –, acrescento minha visão ao raciocínio, referente à liberdade de expressão e uso democrático dos blogs.
O texto da ‘menina virgem’ se constitui amplo convite à originalidade. Aqui mesmo, no ‘Doce de Fel’, já invoquei – mais de uma vez – o fim da mesmice, por acreditar que todos podem ser criativos. Esse debate ainda se faz necessário.

Eu sei: esperar que todo blogueiro tenha responsabilidade pela notícia que veicula equivale a querer o fim da fofoca. Espírito de liderança, capacidade de raciocínio e redação própria são – infelizmente – dons de poucos. Na Internet, as teclas ‘Control+C’ e ‘Control+V’ irão satisfazer, ainda por décadas, os pobres de espírito.
Mas por que é tão difícil, para grande parte dos blogueiros, escrever com originalidade? Para ter opinião coerente, não é preciso total domínio da língua formal ou ler mil livros. Pessoas simples, de pouca formação, também têm capacidade de se expressar. Conheço algumas que o fazem com extrema eficácia, apenas por saberem olhar o mundo ao redor.
Nos blogs, erro comum é abordar tema sobre o qual o blogueiro não possui vivência. É melhor falar do que está próximo. Aqui, numa das postagens mais lidas, falei do conflito entre turistas e ambulantes em minha cidade (A Última Fronteira da Honestidade). Em outra ocasião, citei abusos da telefonia (A Oi Está Cobrando Até Por Chamada Não Atendida). Não usei ‘academicismo’, nem falei sobre o intangível. Os comentários mostram que as pessoas se identificaram com as abordagens.
No entanto, o brasileiro – formado ou não – é, quase sempre, alienado. Não pensa por si mesmo, nem percebe, minimamente, o mundo a sua volta. Não bastasse isso, toma a televisão como principal fonte. A ‘tevê’ dá informação pronta, unilateral, sem interação, reforçada pelo ‘objeto construído’ (quando a notícia ganha força, não pelo conteúdo, mas pelo valor conferido previamente à mídia que a propaga – daí que, se ditas no ‘Fantástico’, mentiras viram verdades). Isso é perfeito para quem tem preguiça de pensar ou não foi educado para o questionamento.
Nossa cultura é alicerçada na religião que, por sua vez, baseia-se em dogmas, que é a arte de propagar, como verdades absolutas, coisas pouco prováveis ou, no mínimo, questionáveis. É o tal do: ‘é, porque é’; ‘é, porque Deus quis’; ‘é, porque está na Bíblia’; ‘é, porque eu vi no Discovery Channel’. E pronto! Tal aceitação passiva dos fatos favorece somente às elites que, desde sempre, morrem de medo que o povo aprenda a pensar.
Com isso, a informação não transforma: apenas mantém eterna a estrutura da desigualdade social. Assim, a comunicação é usada para preservar o poder – e não para revolucionar; posto que a ‘verdade’ – manipulada por omissão ou distorção – jamais é questionada.
Poucos analisam o termo ‘verdade’. O que será isso? Quanto tempo dura a verdade? Existe só uma verdade para cada fato? O que torna verdadeira a informação? Há verdade definitiva fora do saber básico da Física e da Matemática? Existe verdade palpável? Poucos pensam sobre isso.
Como consequência, a originalidade perde importância. Vale a quantidade, em detrimento da qualidade. Todos querem postar; ter ‘pagerank’; acumular visitas, ‘cliques’, centavos. Visam o topo do ‘ranking’. Ainda que esse possa ser manipulado por adolescentes ‘cabeça-oca’, desses que falam ‘tipo-assim’ duas vezes em cada frase.
A recém-nascida ‘blogosfera’ ainda se vê entalada com plágios. Pessoas não postam a fonte porque, em parte, querem assinar o que não escreveram. É a junção da ingenuidade com a idiotice. Alguém copia um texto, insere o próprio nome na ‘res furtiva’ e posta na maior vitrine da Terra: a Internet. Depois, senta e espera elogios, supondo que ninguém verá o ilícito. Seria mais fácil andar pelado e não ser notado, à luz do dia, em plena Av. Paulista.
Muito acertadamente, a ‘Menina Virgem’ disse que, ‘as pessoas não têm responsabilidade jurídica pelo que publicam’. E não têm mesmo. A maioria quer apenas encher o blog de letras e imagens, sem pensar nos possíveis efeitos da notícia. Postar qualquer coisa, todo dia; mover mecanismos de busca, para que leitores caiam de pára-quedas e ‘cliquem’ nos anúncios, gerando centavos via Adsense e afins.
É a força do dinheiro – ainda que em conta-gotas. Poucos se perguntam se o conteúdo tem qualidade. Importa mais saber que, se a postagem possuir os termos ‘Naruto’ e ‘sexo’, gerará mais visitas e ‘cliques’. É o império das ‘tags’. Um vale-tudo, onde poucos se dão conta da importância social do blog, como ferramenta que permite comunicação direta entre os cidadãos. Poucos entendem que seria bem mais útil falar de questões locais.
E há, ainda, a vaidade de parecer intelectual. Alguns mal se livraram do ‘Ataliba’ e já escrevem sobre ‘mecatrônica’. Esses mesmos são oprimidos pelo patrão, roubados pelos bancos e pelo Estado, mas não entendem o ‘ouro social’ que seria falar sobre os problemas que os atingem diretamente. A originalidade está ao alcance da mão. Mas quantos a querem tocar?
Apesar de tudo, mesmo reconhecendo tantos problemas, vejo como positiva a ‘revolução da palavra’ – representada pelos blogs –, cuja força já fez surgir discurso oficial no sentido de coibir a ‘rede’, impondo-lhe regras e limitando acessos (‘Lei Azeredo’). Isso, sim, preocupa-me bastante.
Gosto de quem se arrisca, expondo idéias próprias. Lamento por quem faz do blog um ‘ferro-velho-de-notícias-roubadas’. Seres humanos podem ser mais que meras máquinas copiadoras.
Daí que, no geral, apesar dos plagiadores, caça-níqueis, bobos-da-corte e marionetes, a blogosfera incomoda muita gente: seja porque diminui a força da mídia institucionalizada; seja porque já permite que se encontre quem desenvolva pensamento original, com bastante coerência.
Essa chamada à originalidade, feita no blog ‘Menina Virgem’, é um claro sinal de que estamos progredindo.
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September 14 2009

fernandes
22:51

PRIMAVERA-VERÃO


Imagem: Baixaki.com

PRIMAVERA-VERÃO
(Rita Costa)
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Ah! Primavera,...
reclame com o astro-rei
o profícuo dos versos.
Pois nem toda a culpa
é do perfume tardio das flores
ou do mar.
Culpe, se quiser,
o equador celeste
ou o colorido das cangas,...
onde o dourado proclama
ser bem mais que um palpite.
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E quem me conhece sabe,...
até calço palavras;
mas se cismo poesia,
já não tardo verão.

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September 09 2009

fernandes
20:09

Lucidez


(Foto: Carlos Salim)
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LUCIDEZ
(André L. Soares - 05.09.2009 - Guarapari/ES)
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Nosso pecado original
não foi provar
do fruto proibido;
mas, sim,...
desmatar o Paraíso.
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September 05 2009

fernandes
22:48

Soneto em Dor Maior


(...)

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SONETO EM DOR MAIOR
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Na próxima sexta-feira, dia 11 de setembro, às 17h, acontecerá o lançamento do livro ‘SONETO EM DOR MAIOR’, da poetisa PATRÍCIA NEME.
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O evento ocorrerá no Rio Centro, Pavilhão Laranja, Rua B, stand Allprint, Rio de Janeiro (RJ).
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Em duas felizes ocasiões, a arte de Patrícia Neme foi exposta aqui, nesse blog, por meio dos sonetos:
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Engano’ e ‘Esperança’.
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Não deixem de conferir. Todos estão convidados a prestigiar mais esse grande momento da poesia brasileira.
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Patrícia Neme,... poetisa de grande talento e amiga de extrema generosidade,... parabéns por mais essa vitória. E que o sucesso seja a marca maior desse seu novo livro.
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Um beijo na alma.
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September 02 2009

fernandes
23:13

A Relatividade da Verve


(Foto: André L. Soares)
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A RELATIVIDADE DA VERVE
(André L. Soares)
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Choram os mares abertos
por onde lançam-se os barcos,
em portos de ‘adeus’,... abscessos,...
à espera do doce regresso,
saudade incontida em gestos,
(mosaicos que dou a você)...
por toda pureza que abraço
nos beijos de janeiro a março.
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Sofre meu pulsar disperso
nas mãos que aqueço em afago,...
são cacos de vidro e pregos
da distância que faz estragos.
No entanto, o longe está perto,
no mais eu pago pra ver,...
se há mesmo esse caminho errado
nos sonhos que seguem atalhos.
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Imensa, a dor desses versos
que o poeta risca ao acaso,
louco, a vagar entre prédios,
catando lampejos e restos
da verve entregue ao passado
(embora nem saiba o porquê)...
dos astros que queimam,... eternos
nas curvas do tempo e do espaço.
.
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September 01 2009

fernandes
23:46

Rastros


[Foto: André L. Soares].

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RASTROS
(Rita Costa)
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Percorro as palavras
de um emaranhado mistério
e elas invadem minha alma,
deixando rastros
em meus pensamentos.
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E eu,… atrevida,
não delimitando o perigo,
as sigo… e sinto!
Sou tomada pela noite
que me acolhe
e me faz engolir suspiros…
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August 31 2009

fernandes
22:35

Além do Amor


(Foto: André L. Soares)
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ALÉM DO AMOR
(André L. Soares)
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Maravilhoso seria possuí-la,
mostrar-me todo e real a ela,
abrir à volúpia uma janela,
o portão, a porta, a casa inteira,
até que se fizesse verdadeira,
alojando-se confortável ao coração.
.
E por ser assim profunda, então...
toda palavra se tornando obsoleta,
a felicidade fazendo-se completa,
mergulhados os corpos no silêncio,
faríamos amor, como hoje penso:
a paixão elevada, além da poesia.
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A prática conduzir-nos-ia ao cansaço
e este, ao mais perfeito deleite:
vê-la dormir – tal anjo – ao abandono,
instante em que... atrevido,
eu pararia o universo,
só pra evitar que alguma luz distante
pudesse – talvez – incomodar seu sono.
.
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August 27 2009

fernandes
23:21

Imprescindível


(Foto: André L. Soares)
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IMPRESCINDÍVEL

(André L. Soares)

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O dia nasceu maravilhoso...

tudo com jeito de novo,

voltando às boas, de repente.

No céu azul há um sol quente,

sorrindo raios de luz

para inspirar o meu desejo.

Eis que vislumbro sua imagem

cada vez mais próxima,

quase que posso tocá-la...

isso aquece e traz calma

ao meu espírito indócil.

.

Por entre carros e pessoas

caminho como quem sai da prisão

e olha o mundo, anos depois.

Parece que passou a eternidade

entre o momento de hoje

e a última vez que fui feliz.

Por isso inalo cada cheiro de folha,

todos os sopros de vida...

– pode haver ali, um pouco de você –

Não tenho fome, mas me alimento

do meu amor imensurável.

.

Procuro novas palavras

talvez, em outras dimensões

para explicar o que sinto

e como vivo essa paixão...

escuto frases,... arisco

e me arrisco numa canção

para falar do meu amor,

de modo repetitivo...

.

...até você compreender

que me é imprescindível...

...até você compreender

que me é imprescindível...

...até você compreender

que me é imprescindível!

.

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August 17 2009

fernandes
23:18

Bicho-do-Mato


(Wolf's Reprisal - Jocarra)
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BICHO-DO-MATO
(André L. Soares)
.
Desde cedo deixei
o medo de lado
e me lancei no encalço
dessa lida traiçoeira;
arrebentando elos, cordas,
cabeças, cabaços,
portas, taramelas, cancelas,
porteiras.
.
Só desejo o espaço livre
no vasto da estrada,
com a liberdade própria
dos bichos-do-mato;
dispensando tudo
que me seja um fardo,
salto de peito aberto
pelas cachoeiras.
.
Não divido meus caminhos
entre o bem e o mal;
tampouco temo a hora
da bala certeira.
.
Sou avesso a qualquer coisa
que imponha limites;
desconheço as leis,
os reis, as fronteiras;
vim ao mundo pelo belo
que a vida oferta:
– o mar, o pôr-do-sol, a areia,
os rabos-de-saia,...
a loucura sensual
do amor à lua-cheia!
.
Não divido meus caminhos
entre o bem e o mal;
tampouco temo a hora
da bala certeira.
.
.
.
.
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August 10 2009

fernandes
20:23

Milagre Campestre


(Foto: André L. Soares)
.
.
.
MILAGRE CAMPESTRE
(André L. Soares)
.
Havia pessoas numa roça,
morando em casas de taipa,
tirando sustendo da enxada,
rostos repletos de marcas,
ganhando menos que pouco.
.
A lida lhes trouxe sufoco.
Privações, doenças, calos,
dor, exploração, descaso,
carência e esquecimento...
eram os prêmios do caboclo.
.
No entanto, a Natureza,
dócil, sábia, generosa,...
testemunhando o tormento
dos que labutavam ao sol
– fiéis relutantes heróis –
enviou,...
aos galhos do pé-de-rosa,
na hora da Ave-Maria,
a sublime sinfonia
da orquestra de rouxinóis,...
.
...e foi perfeita a paz por todo o vergel,
que logo o fruto farto floresceu;...
...e foi tão linda a festa sob o céu,
que riram e choraram:... homem e Deus.
.
.
.

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Leia também:
Gritos Verticais /O Poema de Cada Dia /Poética Herética /Raiz de Cem /Sons de Sonetos

July 27 2009

fernandes
20:42

Ao Vento


(Foto: André L. Soares)
.
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AO VENTO
(André L. Soares)
.
Ah... esse coçar a fronte
que faço se estou tenso,
esse mirar em frente
como quem olha pro nada,
perdido tal buscasse
a imagem do impossível
ou a inacessível resposta
à pergunta que nem fiz.
.
Ah... que sensação é essa,
como se o mundo fosse leve
e eu voasse em um monociclo
pelas ruas, ladeira acima,
atrás dos sonhos distantes,
lançados por sobre as ondas,
de encontro aos furacões,
na contramão das marés.
.
Ah... tem ainda a sonolência,
uma vontade de estancar
e viver pleno na saudade,
pra te sentir como música,
pra te ver em meio aos lírios,
pra te amar de forma mágica,
balançando num trapézio,
sob o ‘Cirque du Soleil’.
.
.
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Leia também:
Alma de Poesia /Gritos Verticais /Natureza Poética /O Poema de Cada Dia /Poética Herética /Raiz de Cem /Sons de Sonetos

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